Estudo revela contribuição significativa de plantios de Eucalipto na mitigação de GEE em Mato Grosso

Um estudo colaborativo liderado pela Embrapa Cerrados, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), lançou luz sobre a capacidade dos plantios de eucalipto em armazenar significativas quantidades de carbono, tanto na biomassa da parte aérea quanto no solo. Este fenômeno, equiparado às áreas de Cerrado nativo, emerge como uma contribuição substancial para a mitigação dos gases de efeito estufa (GEE), com ênfase no dióxido de carbono (CO2).

De acordo com o relatório anual da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) de 2023, referente ao ano de 2022, Mato Grosso apresenta uma extensão de 207,7 mil hectares de florestas plantadas, com o eucalipto despontando como a espécie dominante, abrangendo 130 mil hectares. Não obstante os benefícios ambientais, é crucial observar que o tamanho da floresta de eucalipto no Estado experimentou uma redução de 29,5% ao longo de uma década, decrescendo de 184,6 mil hectares em 2012.

O estudo ressalta que tanto as árvores nativas quanto as plantadas desempenham um papel fundamental como drenos de carbono, fixando consideráveis quantidades desse elemento através do processo fotossintético, alocando-o na biomassa da parte aérea (tronco e copa), raízes e na adição de resíduos orgânicos ao solo. Este mecanismo não apenas integra as florestas ao ciclo do carbono, mas também se revela como um agente ativo na redução das emissões de GEE, incluindo óxido nitroso (N2O), metano (CH4) e dióxido de carbono (CO2), contribuindo, assim, para a mitigação do aquecimento global.

O pesquisador da UnB, Alcides Gatto, coautor do estudo, destaca que a remoção de GEE da atmosfera por meio de plantios florestais em savanas deve ser considerada, ao menos em termos de compensações de carbono no curto prazo. Ele ressalta que, no caso dos povoamentos de eucalipto, os cortes ocorrem aos 7, 14 e 21 anos do plantio, especialmente para a produção de papel e celulose, que representa a principal aplicação no Brasil.

Segundo o Relatório Anual 2022 da Indústria Brasileira de Árvores, o Brasil detém aproximadamente 10 milhões de hectares de florestas plantadas, sendo que 76% dessas são plantações de eucalipto destinadas a diversas finalidades comerciais. Essas finalidades abrangem desde a produção de carvão, papel e celulose, até mourões para cercas, postes de eletrificação, e madeira para móveis e construção civil. Os ciclos de plantio ao corte variam de cinco a vinte anos, dependendo da finalidade da madeira produzida.

A pesquisadora da Embrapa, Alexsandra de Oliveira, destaca a existência de diversos estudos sobre o estoque de carbono no solo e a mitigação de GEE em áreas de Cerrado convertidas em lavouras ou pastagens. No entanto, aponta que, apesar da expansão da cultura do eucalipto nesse bioma, ainda há uma lacuna significativa de informações quanto ao impacto desses plantios nos estoques de carbono e nas emissões de GEE.

Além disso, os pesquisadores ressaltam que muitas pesquisas se concentram nas medições do carbono na biomassa do solo e acima do solo, negligenciando a avaliação adequada da quantidade de carbono nos diferentes compartimentos de plantios de eucalipto, como raízes e biomassa morta, principalmente nas regiões de Cerrado.

Em um cenário onde a busca por práticas sustentáveis é premente, compreender o papel dos povoamentos de eucalipto na mitigação de GEE e na manutenção do equilíbrio ambiental é essencial. Este estudo fornece insights valiosos para orientar estratégias de manejo florestal que visam não apenas a produção econômica, mas também a conservação ambiental e a promoção da sustentabilidade em Mato Grosso e em áreas similares em todo o Brasil.