Inovação e sustentabilidade no Setor Florestal Brasileiro

Em um cenário marcado pela emergência climática, a humanidade se depara com um desafio crucial para sua existência na Terra. A mudança climática, outrora tema predominantemente acadêmico e de ativismo ambiental, tornou-se uma realidade inegável que impacta diretamente a vida cotidiana. O Serviço de Mudança Climática Copernicus (C3S) da União Europeia observou que julho de 2023, foi registrado como o mês mais quente desde que há registros, intensificando a urgência de ações para mitigar os impactos adversos.

A gestão eficaz da crise climática exige uma abordagem transversal que envolva colaboração global e avanços científico-tecnológicos. A mitigação e adaptação a esse desafio dependem da cooperação entre diversos atores e do progresso contínuo em campos diversos. O Brasil, detentor da maior floresta tropical do mundo e rica biodiversidade, está em uma posição única para desempenhar um papel proeminente nesse contexto.

A conscientização crescente de que “não existe planeta B” ressalta a necessidade de uma transformação na economia global, orientada para a sustentabilidade e o respeito ao meio ambiente. A Amazônia, representando uma vasta reserva ambiental, pode ser um catalisador para o desenvolvimento social baseado na bioeconomia. No entanto, essa jornada enfrenta desafios críticos, incluindo ilegalidades como desmatamento, grilagem de terras e garimpo ilegal, que exigem uma abordagem urgente e rigorosa.

O setor de base florestal, historicamente consolidado como um modelo de bioeconomia em larga escala, tem promovido uma abordagem sustentável ao utilizar a natureza como inspiração para produtos renováveis, recicláveis e biodegradáveis. Desde livros, copos e canudos de papel até alimentos, remédios e roupas, a indústria tem ampliado seu escopo, impulsionada por investimentos contínuos em inovação e desenvolvimento.

A celulose solúvel, por exemplo, tem se destacado na indústria alimentícia, sendo utilizada na fabricação de “peles” de embutidos e produtos dietéticos. Seu emprego se estende à indústria farmacêutica, como em cápsulas de medicamentos, e à indústria têxtil, onde a viscose derivada da celulose solúvel é empregada em roupas, gravatas, roupas íntimas, vestidos e tecidos jeans.

A ascensão da celulose solúvel na indústria têxtil é particularmente notável, refletindo a demanda crescente por opções sustentáveis. A inauguração da unidade da LD Celulose, uma joint venture entre a brasileira Dexco e a austríaca Lenzing, é um exemplo tangível desse movimento. A fábrica, localizada no Triângulo Mineiro, possui capacidade para produzir 500 mil toneladas de celulose solúvel anualmente, com toda a produção já comprometida em contratos de longo prazo para atender à demanda europeia.

Com 9,9 milhões de hectares dedicados ao cultivo de árvores produtivas, o setor de base florestal adota práticas sustentáveis que incluem o plantio, colheita e replantio em áreas previamente degradadas. Além disso, mantém 6,05 milhões de hectares de mata nativa, formando corredores ecológicos que beneficiam o solo, a água e a biodiversidade.

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Nesse contexto, do cultivo ao produto final, a cadeia produtiva da indústria florestal incorpora os princípios da sustentabilidade, compromisso construído ao longo de décadas e que continuará a nortear o setor em direção ao futuro. Em um mundo que enfrenta desafios para a continuidade da vida humana, a busca por alternativas de desenvolvimento e produtos sustentáveis passa de opção a requisito na construção de um amanhã saudável.

O Brasil, repleto de exemplos inspiradores, possui o potencial de oferecer esperança para um futuro melhor para o planeta Terra e as próximas gerações. A maximização dessa oportunidade requer não apenas a valorização dos recursos naturais, mas também o compromisso inequívoco de combater práticas ilegais que ameaçam a integridade ambiental. Assim, ao abraçar a inovação e promover a sustentabilidade, o país pode liderar a transição global para uma economia mais verde e alinhada com os princípios de preservação ambiental.