Oiti

Oiti

Licania tomentosa

 

Na exuberante Mata Atlântica brasileira, desponta o Oiti (Licania tomentosa), uma árvore majestosa que ostenta porte de até 30 metros de altura e copa frondosa que oferece abrigo à rica fauna e flora local. Mais do que um gigante verde, o oiti se destaca por seus frutos doces e suculentos, apreciados desde os tempos ancestrais pelos povos indígenas e atualmente cobiçados por paladares exigentes.

O Oiti tem frutos, do tamanho de cerejas, apresentando coloração verde-amarelada quando imaturos e se transformam em um tom roxo intenso quando maduros. Sua polpa doce e macia, com sabor único e refrescante, é fonte de vitaminas, minerais e antioxidantes, proporcionando diversos benefícios à saúde.

O oiti não se limita a encantar o paladar. Sua madeira, rica em tanino, era utilizada pelos povos indígenas para a construção de embarcações, utensílios domésticos e armas. Sua casca possui propriedades medicinais, sendo utilizada no tratamento de doenças respiratórias e intestinais.

Ao valorizarmos o oiti e seus frutos, celebramos a biodiversidade brasileira e contribuímos para a construção de um futuro mais sustentável, onde a natureza e o homem coexistem em harmonia.

Oiti, Licania tomentosa 1

Taxonomia e Nomenclatura

De acordo com o sistema de classificação baseado no The Angiosperm Phylogeny Group (APG) III (2009), a posição taxonômica de Licania tomentosa obedece à seguinte hierarquia:

Divisão: Angiospermae

Clado: Eurosídeas I

Ordem: Malpighiales – Em Cronquist (1981), é classificada em Rosales

Família: Chrysobalanaceae

Gênero: Licania

Binômio específico: Licania tomentosa (Benth.) Fritsch

Primeira publicação: Ann. Naturh. Mus. Wien 4:52. 1889.

Sinonímia botânica: Moquilea tomentosa Benth. (1840); Pleragina odorata Arruda da Camara ex Koster. (1816).

Nomes vulgares por Unidades da Federação: em Alagoas, oiti-cagão; no Amazonas, oitizeiro; na Bahia, oiti e oiti- mirim; no Ceará, goiti, oiti e oiti-da-praia; em Pernambuco, oiti-da-praia; em Minas Gerais, no Estado do Rio de Janeiro e em Sergipe, oiti; e no Rio Grande do Norte, oiti-trumbá.

Nota: nos seguintes nomes vulgares, não foi encontrada a devida correspondência com as Unidades da Federação: guaiti e morcegueira.

Etimologia: o nome genérico Licania provém de calignia, nome vernacular da planta na Guiana Francesa, provavelmente um anagrama (BARROSO et al., 1984; KLEIN; 1984); o epíteto específico tomentosa é porque os ramos jovens são lanado-tomentosos.

Descrição Botânica

Forma biológica e foliação: Licania tomentosa é uma espécie arbórea, de padrão foliar sempre-verde ou perenifólio. As árvores maiores atingem dimensões próximas a 20 m de altura e 60 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo), na idade adulta.

Tronco: é reto a levemente tortuoso. O fuste atinge até 7 m de comprimento.

Ramificação: é dicotômica. A copa é muito frondosa e atraente.

Casca: mede até 10 mm de espessura. A casca externa (ritidoma) é levemente fissurada.

Folhas: são simples, alternas, elípticas e lanceoladas; quando novas, são pilosas em ambos os lados, tornando-se glabras. A pilosidade se destaca quando a folha é esfregada.

Inflorescências: ocorrem em espigas ramosas, medindo de 15 cm a 30 cm de comprimento.

Flores: as flores de L. tomentosa são pequenas e brancas.

Fruto: é uma drupa de epicarpo carnoso, de formato oval, medindo de 5 cm a 16 cm de comprimento quando maduro, com uma semente (caroço).

Semente: é grande e envolta em massa amarela; quando madura, apresenta casca amarelada e embora seja pegajosa e fibrosa, é saborosa e tem aroma agradável.

Biologia Reprodutiva e Eventos Fenológicos

Sistema sexual: Licania tomentosa é uma espécie hermafrodita.

Vetor de polinização: essencialmente abelhas e diversos insetos pequenos.

Floração: de julho a setembro, no Estado de São Paulo (ENGEL; POGGIANI, 1985; RODRIGUES, 1996a) e em outubro, no Estado do Rio de Janeiro (SANTOS, 1979).

Frutificação: frutos maduros ocorrem de janeiro a março, no Estado de São Paulo (ENGEL; POGGIANI, 1985; RODRIGUES, 1996a); de fevereiro a março, no Estado do Rio de Janeiro (SANTOS, 1979), e de fevereiro a abril, em Minas Gerais (CÂNDIDO, 1992).

Dispersão de frutos e sementes: autocórica (por gravidade) e zoocórica (por animais), notadamente morcegos.

Ocorrência Natural

Latitudes: de 3°S, no Ceará, a 21°50’S, no Estado do Rio de Janeiro.

Variação altitudinal: de 30 m, no Rio Grande do Norte, a 50 m, no Estado do Rio de Janeiro.

Distribuição geográfica: no Brasil, Licania tomentosa ocorre nas seguintes Unidades da Federação (Mapa):

• Bahia (MELLO, 1968/1969).

• Ceará (FERNANDES, 1990; CASTRO et al., 2012).

• Espírito Santo.

• Minas Gerais (RODRIGUES et al., 2009).

• Paraíba (PEREIRA; BARBOSA, 1997).

• Pernambuco (ANDRADE-LIMA, 1961; ANDRADE-LIMA, 1970; ANDRADE- LIMA, 1979; BATISTELLA, 1996; NASCIMENTO, 1998).

• Rio Grande do Norte (OLIVEIRA et al., 2001).

• Estado do Rio de Janeiro (GUIMARÃES et al., 1988; MORENO et al., 2003).

• Sergipe.

Oiti, Licania tomentosa - Ocorrência natural

Locais identificados de ocorrência natural de oiti-da-praia (Licania tomentosa), no Brasil.

Aspectos Ecológicos

Grupo sucessional: Licania tomentosa é uma espécie secundária inicial.

Importância sociológica: o oiti-da-praia ocorre tanto no interior da Floresta Primária densa como em formações abertas e secundárias. Biomas (IBGE, 2004a) / Tipos de Vegetação (IBGE, 2004b) e

Outras Formações Vegetacionais Bioma Mata Atlântica

Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), na formação de Terras Baixas, no Rio Grande do Norte, e no Estado do Rio de Janeiro (GUIMARÃES et al., 1988), com frequência de até cinco indivíduos por hectare (OLIVEIRA et al., 2001), e Submontana, no Estado do Rio de Janeiro (MORENO et al., 2003). Ocorre também em Santa Catarina, onde é rara (KLEIN, 1979–1980).

• Floresta de Restinga, em Pernambuco, onde é espécie característica (ANDRADE-LIMA, 1961).

Outras Formações Vegetacionais

• Ambiente fluvial ou ripário (Mata Ciliar), em Minas Gerais (RODRIGUES et al., 2009).

Clima

Precipitação pluvial média anual: de 600 mm, no Piauí, a 2.500 mm, em Pernambuco.

Regime de precipitações: as chuvas são periódicas.

Deficiência hídrica: moderada, na região litorânea.

Temperatura média anual: de 20,9 °C (Natal, RN) a 25,5 °C (Recife, PE).

Temperatura média do mês mais frio: 20,5 °C (Natal, RN) a 23,9 °C (Recife, PE).

Temperatura média do mês mais quente: de 23,5 °C (Natal, RN) a 26,6 °C (Recife, PE).

Temperatura mínima absoluta: 14 °C. Essa temperatura foi observada em Recife, PE (BRASIL, 1992).

Geadas: são ausentes, na área de ocorrência natural.

Classificação Climática de Köppen: As (tropical, com verão seco), no Rio Grande do Norte, e em Sergipe. Aw (tropical, com inverno seco, subtipo Savana), no Arquipélago de Fernando de Noronha, PE (BATISTELLA, 1996), e no Estado do Rio de Janeiro. Bsh (semiárido quente), no sudeste do Piauí (EMPERAIRE, 1984). Essa espécie foi introduzida com grande sucesso em Cfa (tropical, com verão quente), no norte do Paraná e em Santa Catarina.

Solos

Licania tomentosa ocorre em diversos tipos de solos, especialmente aqueles de textura arenosa.

Tecnologia de Sementes

Colheita e beneficiamento: as sementes maduras podem ser derrubadas da árvore, batendo-se com vara nos galhos ou colhidas do chão. Em seguida, são espalhadas em terreiro amplo, para secagem ao sol, tendo-se o cuidado de revolvê-las, diariamente, com rodo ou rastelo, para evitar sua fermentação.

Número de sementes por quilograma: de 70 a 93 sementes (caroços) por quilo (SANTOS, 1979; CÂNDIDO, 1992; LORENZI, 1992).

Tratamento pré-germinativo: não há necessidade.

Longevidade e armazenamento: as sementes dessa espécie apresentam comportamento fisiológico recalcitrante. Por isso, não se recomenda seu armazenamento.

Produção de Mudas

Semeadura: recomenda-se semear as sementes em sacos de polietileno com dimensões mínimas de 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro ou em tubetes de polipropileno de 120 cm³.

Germinação: é do tipo hipogeal e as plântulas são criptocotiledonares. A emergência tem início entre 10 e 89 dias após a germinação, com até 23% de germinação (SANTOS, 1979; RIBEIRO; SIQUEIRA, 2001; MARTINS et al., 2004). A muda fica pronta para plantio entre 4 e 6 meses, após a semeadura.

Características Silviculturais

Licania tomentosa é uma espécie heliófila, que não tolera baixas temperaturas.

Hábito: apresenta forma irregular, sem dominância apical e ramificação pesada. A derrama natural é insatisfatória, necessitando de desrama ou de poda (de condução e dos galhos), frequente e periódica.

Sistemas de plantio: o oiti-da-praia deve ser plantado em plantio misto, posterior às espécies pioneiras, para garantir certo sombreamento durante seu desenvolvimento inicial.

Crescimento e Produção

Existem poucas informações sobre o comportamento do oiti-da-praia em plantios. Contudo, seu crescimento é lento.

Características da Madeira

Massa específica aparente (densidade aparente): a madeira do oiti-da-praia é densa (0,65 g cm-3 a 0,98 g cm-3 (BRAGA, 1960; LORENZI, 1992; PAULA; ALVES, 2007).

Cor: o alburno é quase indistinto do cerne, o qual é de coloração esbranquiçada.

Características gerais: a madeira dessa espécie apresenta grã direita e textura variando de média, para grossa.

Outras características: a madeira de L. tomentosa é resistente e de longa durabilidade.

Produtos e Utilizações

Madeira serrada e roliça: pode ser usada em construção civil e em obras hidráulicas.

Energia: a madeira do oiti-da-praia produz lenha de boa qualidade.

Celulose e papel: a madeira dessa espécie é inadequada para esse uso.

Alimentação animal: os frutos dessa espécie são consumidos por animais, principalmente por porcos.

Aproveitamento alimentar: Licania tomentosa é bastante cultivada pelo fato de seus frutos serem comestíveis in natura e conterem uma amêndoa rica em óleo.

Apícola: essa espécie tem grande potencial melífero, por produzir pólen e néctar de qualidade.

Paisagístico: Licania tomentosa é amplamente cultivada em quase todo o Brasil, sendo usada na arborização de Manaus, AM (COSTA; HIGUCHI, 1999), no Estado de São Paulo (PRANCE, 2003), em Aracaju, SE (RESENDE et al., 2009), e em Fortaleza, CE (MORO; WESTERKAMP, 2011), com valores de 2,51% na contribuição do paisagismo, nos bairros Benfica e Jardim América.

Essa espécie também integra a arborização de Brasília, DF, em pátios, ruas, mas apresentou sérios problemas em calçadas, por causa de suas raízes laterais, que quebram o calçamento e paredes de edificações próximas. No passado, até o oiti-mirim causou sérios problemas no Pátio da Embrapa Sede. Contudo, Licania tomentosa compõe o paisagismo da Capital Federal, inclusive na Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIA) e na BR–020, de Brasília, DF, até a cidade satélite de Sobradinho, também no Distrito Federal.

Essa espécie é a segunda mais usada no paisagismo das praças em Aracaju, SE, representando cerca de 15,8% do total das árvores plantadas (SOUZA et al., 2011). Plantios com finalidade ambiental: nas áreas devastadas e invadidas pelo sapê (Imperata brasiliensis), essa espécie é uma das primeiras a se instalar (GUIMARÃES et al., 1988).

Espécies Afins

Licania aubl. é o maior gênero da família Chrysobalanaceae, com 214 espécies, das quais 210 são neotropicais, uma africana e três malaias (PRANCE, 2003).

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